Criptomoedas pode estar com os dias contados

A mineração de criptomoedas pode estar com os dias contados. Pelo menos em alguns países da Europa, e na forma pouco sustentável como tem sido feita atualmente. Nações como a Noruega e a Suécia querem que a atividade, amplamente criticada por sua gigantesca pegada de carbono, seja proibida no bloco europeu.

Mas uma proposta recém-emitida pelo governo da Suécia sinaliza como é difícil combinar esse desejo com a realidade. O argumento do governo é de que a mineração de bitcoins não é apenas ruim para o clima: é ruim para os esforços mundiais de converter o sistema global de energia em fontes renováveis.

Atualmente, conforme a Fortune, a mineração de Bitcoin emite tanto CO2 quanto a Irlanda ou a Grécia. E só uma mudança considerada histórica da mineração, que atualmente usa gás natural e carvão, para a energia eólica, solar e hidrelétrica, poderia banir esse problema. Quer dizer: em termos. A Fortune também aponta que, segundo a Suécia, mesmo a produção de Bitcoin utilizando fontes renováveis ​​não seria ecologicamente correta.

“Embora a mineração de criptomoedas e sua tecnologia subjacente possam representar alguns benefícios possíveis a longo prazo, é difícil justificar o uso extensivo de energia renovável hoje”, disse à Euronews Next o ministro do desenvolvimento regional da Noruega, Bjørn Arild Gram.

Isso porque a moeda “devora” eletricidade, que é extremamente necessária para afastar indústrias maiores dos combustíveis fósseis, potencialmente forçando as nações anfitriãs a importar energia suja do exterior, tornando suas emissões muito piores.

📷 Criptomoedas pode estar com os dias contados | Seu Dinheiro

“A mineração coloca os governos em uma posição muito vulnerável. Na prática, o governo não tem como regular mineradores. Se regular, eles saem. Com o crescimento cada vez maior da atividade, a tendência é que a mineração seja intensiva em termos de energia. Não tem como se tornar eficiente”, explicou a professora Moehlecke.

Assim, quanto mais as criptomoedas se disseminarem, mais energia será consumida. “Os países precisam manter o preço da energia para a população para controlar a inflação. É muito incompatível com os objetivos de governo. Do ponto de vista da economia política, fica difícil acreditar que criptomoedas são viáveis em grande escala”, emendou.

Além disso, há ainda a questão de sustentabilidade. A professora lembrou que, ao pensar em mudança climática, a atividade não é muito amiga da natureza, justamente por esse uso intensivo de energia, principalmente nos casos de países que têm o carvão como principal fonte.

Neste começo de ano, o Cazaquistão vem sofrendo bastante com a crise política. Um dos motivos, entre outros, foi a migração de mineradores que saíram da China, após a proibição da mineração, por causa dos baixos preços de energia no país da Ásia Central.

Para a professora da FGV, o caso do Cazaquistão é um exemplo em tempo real de como criptoativos em ampla escala não são viáveis com a estrutura política do mundo atual. “A China foi o primeira exemplo. Pode-se falar do tipo de governo do país, mas outros países também não querem a atividade e vão tomar medidas para desencorajar atividade”, completou Carolina Moehlecke.

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Fonte: Um só problema, Olhar Digital.

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